03 janeiro 2008

A Prima - Parte 2

Londres, 25 de Dezembro de 1871


Ella entrou em casa de rompante. Foi à sala, deu um beijo apressado à mãe e disse-lhe que ia jantar em casa dos Rose. Subiu as escadas muito apressada e remexeu na sua mala, ainda mal desfeita, à procura de um embrulho. Estava bastante amachucado devido à viagem, mas teria que ir mesmo assim. Saiu de casa e dirigiu-se à casa de John. Quando lá chegou a mesa já estava posta e Beatrix parecia bastante enfadada. Calculou que fosse pela espera, apesar de os restantes parecerem bastante animados.
- Boa noite! - disse Ella.
- Boa noite, minha querida! - respondeu-lhe Mrs. Rose, - Agora que já chegaste, podemo-nos sentar. Vamos, vamos. - e abrindo os braços indicou a mesa às restantes pessoas.
- Peço desculpa se vos fiz esperar... - acrescentou Ella, ao que Beatrix respondeu com uma careta.
Sentaram-se e começaram a comer. John ficou entre a amiga e a prima, o que o deixou bastante encavacado... Ao jantar discutiram-se as mais diversas coisas, desde politica a culinária, teatro a bordados, fazendo ainda uma paragem da vida dos duques e duquesas, condes e condessas. Quando acabaram de comer a sobremesa, John pediu licença para se levantar, pegou na mão de Ella e levou-a ao seu quarto no andar de cima. Depois de lá chegarem ele remexeu numa grande gaveta do seu roupeiro e no momento em que se conseguiu desenvencilhar de tamanha confusão, saiu de lá com algo bastante pequeno envolto na sua mão.
- Fecha os olhos. - pediu a Ella.
- Mas porquê?
- É surpresa...
Ella acedeu ao pedido do amigo. John abriu-lhe as mãos e depositou nelas algo pequeno e frio.
- Podes abrir. Espero que gostes... Espero que ainda gostes!...
Abriu os olhos e olhou para as suas mãos. Aquele objecto era-lhe estranhamente familiar... Era um anel bastante pequeno, feito de prata. Era...
- Lembras-te? - perguntou-lhe John impaciente e interrompendo-lhe o pensamento.
- Lembro! É o anel! O anel com que brincávamos e eu perdi! Onde é que ele estava?
- Onde o deixaste! - respondeu-lhe com ar brincalhão. - Estava no jardim! Dentro da árvore que nós andávamos sempre a subir! Não te recordas? Nós deixamo-lo lá uma vez!
- E como é que te lembraste disso?
- Foi antes de ir buscar a Beatrix... Estava a passear por lá (já não ia lá há anos!) e vi a árvore. Não sei porquê recordei-me de tudo e decidi ir ver se ainda lá estava!
- Obrigada John! - disse Ella dando-lhe um beijo na face, - Foi o melhor presente que alguma vez recebi! - e meteu-o na pulseira de prata que trazia no pulso. - Também tenho um presente para ti. Está bastante amachucado, mas espero que gostes.
Entregou-lhe o embrulho. Era um kilt, o que fez John rir-se a bandeiras despregadas.
- É o padrão da tua família? - Ella anuiu. - Muito obrigado!
Passado algum tempo silencioso, Ella disse:
- Não tinhas dito que tinhas novidades para me contar?
- Sim... Mas aqui não. - e baixando a voz acrescentou. - As paredes têm ouvidos! Vamos dar um passeio, que me dizes?
Pegaram nos casacos e saíram. Começaram a vaguear pela cidade. Passaram por restaurantes cheios de gente chique a beber vinho e falar alto, por praças com crianças sujas a correr e a brincar, por igrejas com a sua estranha música monocórdica, mas nenhum deles deu por isto. Talvez por já estarem habituados... Talvez por estarem concentrados...
- Então... Que é que se passa afinal? - perguntou Ella mais uma vez.
- Bem... É um pouco complicado de explicar... Nem sei bem por onde começar...
- Pelo princípio dava jeito...
- Tens razão... Bem... Pouco depois de teres ido para a Escócia, o meu pai recebeu uma carta do seu primo Evan, o pai da Beatrix. Ele deu-ma. Para eu a ler. A carta dizia muito resumidamente que como eu e a Beatrix estávamos a ficar "crescidinhos", como ele disse, e nos dávamos bem, se não seria altura de se pensar num casamento... Penso que os pais dela sempre tiveram a ideia de que nós nos havíamos de casar... O meu pai sabia o que se tinha passado entre nós os dois e que só tinhas ido para a Escócia por minha causa.
- Contaste-lhe?
- Sim... Mas isso não interessa muito. Posso continuar? - Ella anuiu. - Bom... Nós os dois falámos e ele disse que eu tinha que começar a pensar no futuro e que aquela era uma óptima oportunidade e que eu não a podia desperdiçar se tu não querias nada comigo. Pedi-lhe algum tempo para pensar, não que não continuasse a gostar de ti, mas tinha realmente que pensar no meu futuro... Recebi uma carta dela entretanto, dizia que mal podia esperar por me ver no Natal. Pelos vistos os nossos pais já tinham combinado esta sua vinda... Não sabia mais o que fazer em relação à minha vida... Tu não me respondias... Sempre me dei bem com ela... E os nossos pais já andavam a conspirar, pelo menos nas minhas costas... Estava desesperado por alguma calma na minha cabeça e essa pareceu-me a saída mais rápida.
- Tu aceitaste casar com ela?!
- Desculpa...
- Mas... Mas... - começou Ella tentando controlar os seus soluços. - Tu nem gostas dela!
- Ella... Eu não podia ficar para sempre à tua espera...
- Não era para sempre! Eram dois meses! Dois meses, John!!
- Desculpa... Não sei o que mais te dizer...
- Não digas nada! - e Ella largou a correr dali. Só parou em sua casa, onde entrou de rompante, dirigindo-se directamente para o seu quarto. Ouviu alguém atrás de si.
- Ella... O que é que aconteceu? - era a sua irmã Alice que a tinha seguido. Ao ver que ela estava a chorar abraçou-a e tentou limpar as suas lágrimas. - O que é que se passa, Ella?
- Foi... O John...

5 comentários:

Anónimo disse...

Estou a adorar a história! Quero mais! =P

Anónimo disse...

Temos falado tão pouco! Que estupidez. Quase já não sei nada de ti =/

Margarida disse...

Pois... mas seria pir se tivesse deixado de gostar certo?...(Estou a adorar..continua com essa imaginação!)

Anónimo disse...

Mais Mais xD

Anónimo disse...

outra coisa kand escreveres um livro assim cm estas coisas avisa.m xD