Londres, 31 de Dezembro de 1871
Ella acordou sobressaltada com alguém a bater à porta. A Mary que vá lá... Pensou enroscando-se nos lençóis. Mais uma vez. Mas que horas seriam?! E seria possível que não estivesse ninguém em casa? Olhou para o seu relógio. Boa... Tinha-se esquecido de lhe dar corda. Levantou-se, desceu as escadas, o relógio do hall marcava onze horas e um quarto. Não compreendia porque não estava ninguém em casa. Há dias que não saía do seu quarto... Que dia seria hoje? Bateram mais uma vez à porta.
- Já vai! - gritou ela lá para fora. Tinha-se esquecido do robe. Vestiu o seu casaco (o único no bengaleiro). Dirigiu-se à porta e quando a abriu os seus olhos ficaram redondos de espanto.
- Tom? Thomas Miller? O que fazes... - mas foi interrompida pelo amigo, que lhe deu um forte abraço. - Há quanto tempo! - disse, quando ele a largou. - Entra, entra!
- Obrigado. Peço desculpa se vim em má altura.
- Não, não! De modo algum! - Ella falava com um entusiasmo excessivo, que nem ela sabia de onde vinha. - Estava só a dormir e achei que houvesse gente em casa para abrir a porta...
- Provavelmente foram à missa. Pensei que tivessem ido todos e, por isso, ninguém abria a porta.
- À missa?!
- Sim, Ella...
- Hoje é domingo?!
- Claro! - respondeu-lhe Tom meio confuso. - Que dia querias que fosse?
- Er... Desculpa... Claro, claro... Tens razão... Deve ter sido do sonho... Bem, estou cheia de fome, és servido?
- Sim, se faz favor! No barco não havia comida de jeito!
- É verdade! A tua viagem! - disse dirigindo-se à cozinha, onde começou a aquecer leite e a fazer torradas. - O meu perdão pela parca refeição que lhe vou servir, mas está convidado para cá almoçar. - acrescentou num tom irónico.
- Está descansada que comparado com o que tenho comido deve ser um manjar!
- Então e como estão as Áfricas?
- Estão boas... Vi coisas fantásticas, Ella! Um dia tens de lá ir!
E uma hora passou em conversas sobre África e as espécies exóticas que Tom tinha ajudado a reportar. Tom tinha um grande jeito para desenho e tinha sido convidado há três anos para ir com vários exploradores aos confins da selva africana, catalogar as novas espécies aí encontradas. Desde então que nunca mais se tinham visto. Tinham-se conhecido no Hyde Park, onde Ella e John brincavam muitas vezes. Apesar de as suas irmãs também irem, preferiam brincar com bonecas, enquanto que Ella se divertia com John a subir a árvores, acabando por conhecer Thomas Miller exactamente em cima de uma delas.
Era precisamente meio dia e um quarto, quando ouviram o trinco da porta rodar. A sua família inteira acabara de entrar em casa vinda da missa. Um grande reboliço de casacos e cotoveladas para os pendurar gerou-se no hall. Mary entrou na cozinha e foi com grande espanto que viu duas pessoas sentadas à mesa a rir. Ainda foi maior o seu espanto por uma delas ser Ellen Summers, que não saia do seu quarto fazia cinco dias.
Encaminhou-se apressadamente com Tom para o hall de entrada, de modo a sair do alcance do olhar inquisidor de Mary e desviar as atenções para o seu amigo. Apesar de ter perfeita consciência de que iria levar com cinco desses olhares ao mesmo tempo.
- Bom dia! Olhem quem chegou hoje! - apressou-se a dizer, de modo a que ninguém tivesse tempo de lhe dirigir a palavra - O Tom almoça connosco. Não tive tempo de me arranjar, vou fazê-lo! Até já!
E subiu as escadas que nem um relâmpago, deixando Tom entregue à sua família. Vestiu o primeiro vestido que lhe apareceu, deu um jeito ao quarto (Mary e as criadas não teriam tempo com as horas que eram e com tudo o que tinham para fazer, ainda por cima tinham-lhes arranjado mais gente para almoçar...) e começou a árdua tarefa de arranjar o cabelo. Mal acabou, desceu e encontrou a sua família conversando alegremente e, por isso, longe de lhe fazerem perguntas a que não queria responder. Almoçaram e, depois, as quatro irmãs e Tom decidiram ir dar um passeio, para mostrar a cidade ao recém chegado. Visitaram os sítios emblemáticos da sua infância e os lugares em voga na altura. Até que, ao passarem por um botequim, Tom apontou para a sua grande montra dizendo:
- Bom dia! Olhem quem chegou hoje! - apressou-se a dizer, de modo a que ninguém tivesse tempo de lhe dirigir a palavra - O Tom almoça connosco. Não tive tempo de me arranjar, vou fazê-lo! Até já!
E subiu as escadas que nem um relâmpago, deixando Tom entregue à sua família. Vestiu o primeiro vestido que lhe apareceu, deu um jeito ao quarto (Mary e as criadas não teriam tempo com as horas que eram e com tudo o que tinham para fazer, ainda por cima tinham-lhes arranjado mais gente para almoçar...) e começou a árdua tarefa de arranjar o cabelo. Mal acabou, desceu e encontrou a sua família conversando alegremente e, por isso, longe de lhe fazerem perguntas a que não queria responder. Almoçaram e, depois, as quatro irmãs e Tom decidiram ir dar um passeio, para mostrar a cidade ao recém chegado. Visitaram os sítios emblemáticos da sua infância e os lugares em voga na altura. Até que, ao passarem por um botequim, Tom apontou para a sua grande montra dizendo:
- Olhem! É o John! Vamos lá dizer-lhe olá! - e começou a dirigir-se para lá, obrigando as suas acompanhantes a segui-lo. Quando Ella, que decidiu ir em passo bastante lento, chegou, John corou despropositadamente e Beatrix, que estava com ele, lançou-lhe o seu habitual olhar de desdém.
- Olá! - cumprimentou-a John.
- Olá! Com estão? - disse Ella.
- Então agora é assim? - interveio Tom. - Que é dos grandes abraços e das recepções calorosas de sempre?
- Er...
- Penso que a Ella se sente intimidada por mim! - alvitrou Beatrix, meio em jeito de gozo, meio em jeito de desafio.
- Ora essa! A Ella? Intimidada? Isso foi coisa que nunca vi! E porque é que não me contaste que este sacana se ia casar?
- Não calhou em conversa...
- Por esta é que não esperava! Até porque sempre pensei que tu e a Ella... - e olhou para ele com cara de provocação.
- Pensámos todos... - disse Jo, que, como a sua irmã, não tinha papas na língua, enquanto fulminava Beatrix e John com o olhar.
- Olhem... Peço desculpa... Mas lembrei-me de algo que tenho que fazer... Vou andando, está bem? - dirigindo-se às irmãs, - Encontramo-nos em casa. - a Tom - Depois combinamos qualquer coisa, para acabarmos de pôr a conversa em dia. - e, por fim, a todos. - Adeus! Espero que tenham uma óptima tarde!
E saiu do botequim. Começou a andar. Na verdade, não sabia bem para onde ia...
3 comentários:
A Bruxa mudou de casa: http://www.pap-na-eptc.blogspot.com/
Gostei muito da "indirecta muito directa" do Tom xD
Estou a adorar a história! =D
Até agora está bastante interessante, uma vez que tens desenvolvido sempre um pouco mais em cada "capitulo" em vez de pores so "palha" (apesar de também fazer falta senão era um resumo e não uma história)!
Mais!!!!!! =P
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