26 abril 2008

A Decisão - Parte 4 - A Despedida dos Summers (continuação)

Londres, 25 de Fevereiro de 1872

Naquele dia, à mesa dos Summers sentia-se uma tensão astronómica. Muita coisa havia para ser dita, mas ninguém sabia nem quando, nem como começar. Ella temia principalmente estragar o momento à sua irmã Joanna. Não queria ficar com toda a atenção, especialmente porque Patrick e Jo esperavam por tal momento já há muito. No entanto, tinham-lhe dito que preferiam falar apenas com os seus pais no fim do almoço e pedido para falar antes ela ao almoço. Por outro lado, não sabia mesmo como começar...
- Ella... - chamou Robert à sua direita à cabeceira. A sua mãe estava na outra cabeceira. As suas irmãs Alice e Rosemary ao seu lado esquerdo por esta ordem. E Patrick à sua frente com Joanna a seu lado. - Não tinhas algo para nos contar?
- Sim, sim. Estamos todos aqui a morrer de curiosidade, maninha! - acrescentou Rosemary, que quase pulava na cadeira, assim como as outras duas irmãs, em oposição à faceta grave dos seus pais.
- Pois... É um pouco complicado de explicar... Até porque envolve coisas para as quais não estão preparados... - todos tinham os olhos postos nela. Ella sentia-se a sufocar. Respirou fundo e continuou. - Eu e o John... estivemos a conversar... e decidimos algo muito importante. Algo que vai mudar as nossas vidas. E as vossas também, se bem que não tanto... Vocês sabem que o casamento dele com a Beatrix nunca foi do nosso... agrado. Por isso, decidimos que era melhor... que é melhor... hum... não ser feito... Decidimos... Decidimos que... - respirou fundo outra vez, - vamos para Boston.
- O quê?! - gritaram todos em coro.
- Sim. É isso. Vamos para Boston. Hoje.
- Filha... - começou Isobel.
- Não, mãe. Nós já pensámos e já nos decidimos. Estamos fartos de viver nesta hipocrisia. Se duas pessoas se amam, porque razão não podem simplesmente ser felizes?
- Mas é tudo tão repentino...
- Eu sei. E acredite, também me custa a mim. Mas não temos outro remédio... Depois voltamos. Prometo.
- Mas tu estás completamente doida?! - Mr. Summers estava colérico. Desde que Ella começara a falar tinha adoptado uma táctica de panela de pressão. E agora, a válvula de escape começara a funcionar... - Como é que vão para lá? O que é que as pessoas vão dizer? COMO É QUE VÃO SOBREVIVER?!
- Robert, tem calma. Assim não vais resolver nada.
- Então como é que vou resolver, Isobel? Por acaso sabes como é aquilo lá, Ella? Sabes? Deves pensar que eles adoram os ingleses! Que vos vão logo dar trabalho num alto posto! Especialmente porque são ingleses! Bem que podes esquecer os Miss para aqui e os Miss para ali! Ninguém te vai servir. Ninguém te vai empregar. Nada, Ella. Nada! Vais ficar sem nada!
- Muito obrigada pelo apoio, pai!
- Não me faltes ao respeito!
- Vá lá, tenham calma... - Mrs. Summers tentava desesperadamente repor a ordem àquela mesa, mas estava a revelar-se uma tarefa impossível. - Porque não vamos os três para a sala do lado conversar? Sim?
Muito relutantemente, Ella e seu pai levantaram-se e seguiram a dona da casa até à sala de estar, a qual fechou a porta, pediu que se sentassem e perguntou:
- Ella, querida, conta-nos: o que é que vocês planearam afinal?
- Bem... Combinámos que hoje à noite apanharíamos um comboio até Cardiff e depois o barco para Boston.
- E lá?
- Lá... Arranjamos emprego, alugamos um quarto e... sobrevivemos... De certeza que haverá crianças para ensinar ou tomar conta por lá. E eles ainda vivem muito como nós em Boston. Vai ser fácil adaptarmo-nos. Vai correr tudo bem. Sei que estão preocupados. Eu também estou, é um país novo, uma realidade completamente nova, mas eu só quero ser feliz! E isso está-se a tornar cada vez mais difícil aqui...
Mr. Summers já tinha acalmado. Nenhum dos três sabia o que dizer. Estavam sentados a olhar uns para os outros, a tentar que aquele último momento juntos durasse para sempre...

2 comentários:

Anónimo disse...

Vai tudo correr bem, não vai? =P Esta história é verdadeiramente de "colar ao ecrã"!

Anónimo disse...

Vai tudo correr bem, não vai? =P Esta história é verdadeiramente de "colar ao ecrã"!