24 abril 2008

A Decisão - Parte 3 - A Despedida dos Summers

Londres, 25 de Fevereiro de 1872

A família Summers vinha rua acima, chegada da missa. Era impossível passarem despercebidos: pelo seu número, pela faiscante cor de cabelo das mulheres que constituíam o clã, pelos nobres trajes e pelo barulho que todos juntos faziam. Porém faltava lá uma cabeça ruiva: Ella este fim-de-semana tinha desaparecido da vista de todos com a desculpa de ainda ter "tralha", como lhe chamara, para arrumar na sua nova casa. No entanto, sempre esperaram que ela fosse à igreja e almoçasse com eles.
- Mary, tem a chave? - perguntou o chefe da família, Robert Summers. - Esqueci-me da minha dentro de casa...
- Penso que sim, senhor. - e a governanta tirou uma chave grande e brilhante da sua modesta, mas bonita, bolsa.
Entraram todos, com a mesma algazarra de sempre, deixaram os seus casacos nos cabides e foi cada um para seu lado: Mary e as criadas para a cozinha, Robert e Isobel para a sala de estar e as três irmãs para o quarto de uma delas. Contudo, quando o casal entrou na sala ia tendo um ataque de coração, ao se aperceberem que a casa afinal não estava vazia. Uma grande cabeleira avermelhada encontrava-se sentada numa poltrona a ler uma revista.
- Ella?
- Ellen Summers, nem sabes o susto que me pregaste a mim e ao teu pai!
- Queridos pais, não pensaram mesmo que ia passar um domingo sem vos ver, pois não? - e dito isto abraçou-os.
- E porque é que não foste à missa?
- Tive coisas mais urgentes... - os seus pais fizeram uma cara bastante confusa ao ouvir isto. - Tenho um comunicado a fazer a toda a família. Algo bastante importante aconteceu e vai acontecer na minha vida...
- Vá, desembucha, filha! - cortou Isobel.
- Ao almoço conto-vos, quando as manas estiverem aqui. Por falar nelas, estão lá em cima?
- Sim. Mas Ella...
- Não há Ella, nem meia Ella, minha mãe! Vai ter que esperar. Até já!
E subiu. Não foi muito difícil descobrir em que quarto estavam, bastou seguir os risinhos. Bateu à porta, o que as fez calar num instante, como era hábito, não fossem os seus pais ouvir algo que não devia.
- Ella! Achámos que hoje não vinhas! - disse Romy e todas a abraçaram.
- Sabes quem vem hoje também? - começou Joanna.
- Quem?
- O Patrick!! - e deu dois pulinhos. Os seus olhos irradiavam felicidade. - Ele vem pedir a minha mão a nosso pai!
- Que bom, Jo! - e deu-lhe um abraço. - Nem sabes como fico feliz por ti!
- E tu, Ella? Que tens para nos contar? - perguntou-lhe Alice.
- Eu?!
- Sim! Estás com ar de quem tem algo para contar! - picou-a a sua irmã mais nova.
- Oh! Vá lá, Ella! Nós conhecemos-te...
Ella hesitou, mas achou que de nada valia fingir que não tinha nada para contar. No entanto, decidiu deixar o "comunicado" à mesma para o almoço. Queria ver a reacção de todos em conjunto. Começou por relatar como John a tinha ido visitar, falou no beijo e ao que tal tinha levado. Quando acabou a sua narrativa as irmãs estavam espantadíssimas, cada uma à sua maneira.
- Ella! E se isso se sabe? - Alice era a que mais se preocupava com as aparência.
- Não sejas parva, Al. Isto só se sabe se alguma de nós ou o John diga alguma coisa! Estás a pensar espalhar, é? - espicaçou-a Romy.
- A Romy tem razão. Não há motivo nenhum para que isto se venha a saber... E mesmo que venha... - e Ella riu-se.
- Mesmo que venha...?
- Vais ter que explicar melhor...
- O que é que a nossa maninha terá andado a fazer... - Rosemary, a mais nova, era também a mais desinibida, o que a fazia espantar-se quando alguma das suas irmãs a "ultrapassava". - Parece-me que a menina anda a sair muito da casca...
- Depois explico. Não se preocupem! - estava a falar com um sorriso de orelha a orelha, que lhe era impossível apagar. - Ao almoço conto o resto. - e piscou-lhes o olho. - E vocês? Que mais têm para me dizer?

Continua...

2 comentários:

Anónimo disse...

Porque será que eu acho que isto não vai correr lá muito bem?

Anónimo disse...

Porque será que eu acho que isto não vai correr lá muito bem?