06 dezembro 2007

Hoje escrevo-te a ti

Hoje escrevo-te a ti. Não que o vás ler, ou que to possa dizer, mas hoje escrevo-te a ti.
Há bastante tempo que não te vejo. E por incrível que pareça, de vez enquando ainda me lembro de ti. Às vezes pergunto-me se tu também te lembrarás de mim. Acho que tenho saudades tuas. Já passou tanto tempo, que é quase como se tivesses morrido. Uma morte lenta e distante...
Recordo-me dos bons momentos que passámos juntos. A rir. De como éramos amigos. E sinto a tua falta. Recordo-me do que gostava em ti. E sinto a tua falta. Depois recordo-me do que não gostava em ti e dos maus momentos que sucediam daí. E quase que fico feliz por estares longe. É como se, na minha cabeça, tivesse uma imagem tua adulterada e perfeita, que logo de seguida é anulada pela que os outros têm de ti - muito mais verdadeira - e que, na realidade, eu também tenho, subterrada na tua "perfeição"!
Não sei porque continuo a pensar em ti depois de tão longa ausência. Parece que me serves de entretém para quando não tenho mais nada em que pensar! Parece que me serves para abafar todos os meus problemas presentes! Parece que... és uma desculpa para que a minha vida faça um pouco mais de sentido, no meio de toda a falta de sentido que existe nisto!...
Hoje escrevo-te a ti. Não sei porquê. Mas escrevo-te a ti. A ti que nunca o lerás...