19 julho 2009

Em Casa do Tom

Londres, 17 de Maio de 1873

Os primeiros raios de sol começavam agora a entrar pela sala. Romy acordou estremunhada com a claridade que aumentava cada vez mais. Encontrava-se entre Tom e Lily, sentada num sofá. Não sabia muito bem onde. O dia e a noite passada correspondiam a uma grande confusão na sua cabeça. Não se lembrava muito bem do que tinha feito. Não passavam de imagens difusas.
Depois de muito piscar os olhos, lá conseguiu habituar-se à penumbra e percebeu que se encontrava na sala da casa de Tom. Reparou também que havia uma grande quantidade de garrafas e charutos espalhados pela sala. Estavam todos em roupa interior e em cima da mesa viu o embrulho que Lily lhe tinha entregue talvez há um dia atrás (que horas seriam?!). Agora encontrava-se vazio com uma seringa e um frasco, também vazio, ao lado.
Os seus dois companheiros ainda dormiam profundamente. Os seus pais deviam estar completamente passados! Não era a primeira vez que eles faziam aquilo, mas desta tinham exagerado! Que dor de cabeça que tinha...
Levantou-se e foi à cozinha. Colocou a cafeteira ao lume para fazer café. Encontrou um relógio, eram umas seis da manhã. Só esperava que não tivessem metido a polícia ao barulho... Que embaraço seria...
- Bom dia, Romy... - Tom tinha acordado entretanto e entrado na cozinha.
- Bom dia. Queres café?
- Sim, se faz favor. Vou fazer torradas também.
- A Lily ainda está a dormir?
- Sim. Que grande desordem está nesta casa!
- Lembraste de alguma coisa do que se passou?
- Não... Tu lembraste?
- Não...
- Lindo...
- Para a próxima não pode ir tão longe... Os meus pais devem estar tão zangados...
Nisto bateram à porta. Batiam violentamente e parecia que estavam a gritar do outro lado. Ao se aproximarem reconheceram a voz:
- Romy! Romy, abre já a porta! Eu sei que estás aí! - gritava Alice incessantemente.
- Estás maluca? Ainda acordas o prédio! - disse Tom ao abrir a porta.
- Rosemary Summers! Que poucas vergonhas! Não acredito... Não acredito que fizeste isto! O que é que vou dizer aos pais?... Eles estão preocupadíssimos!!!
- Calma, Al... Está tudo bem... - respondeu a irmã, numa tentativa desesperada de a calar.
- Está tudo bem?! ESTÁ TUDO BEM?! Nós passamos a noite toda acordados, sem saber o que te tinha acontecido!!! Eu estive para vir cá mais cedo, mas eles só me deixaram sair agora de casa. Estavam com medo que eu não voltasse também!... Como é que pudeste fazer isto, Romy?
Rosemary não sabia o que responder à irmã. Ela não sabia mesmo como poderia ter feito aquilo... Felizmente Lily, que tinha acordado com toda aquela cacofonia, intrometeu-se e salvou-a daquela situação constrangedora.
- Alice, porque é que não tomas o pequeno-almoço connosco? - perguntou Lily, pondo-lhe os braços à volta dos ombros, na sua compaixão de enfermeira que convencia qualquer um.
Sentaram-se à mesa em silêncio. Alice estava numa pilha de nervos. Concentrava-se extraordinariamente na sua torrada, para que não começasse a soluçar convulsivamente. As lágrimas vinham-lhe aos olhos e sabia que todos os olhares estavam concentrados em si, à espera que estas iniciassem o seu percurso pela sua face a baixo.
- Desculpa... - ouviu-se num murmúrio vindo do outro lado da mesa.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sara... continuo sem perceber =S Onde andam a Ella e o John?

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