Estou com uma necessidade tremenda de escrever. A verdade é que, mais uma vez, não tenho assunto. Ultimamente ando com a cabeça cheia de nada. Um monte de nadas a fazer poeira lá dentro. Apetece-me tirar o nada de lá de dentro. Ainda que isso não faça muito sentido. Correto seria dizer meter algum tudo lá dentro. Mas não. O que eu quero mesmo é tirar o nada.
É que o nada ainda incomoda mais que o tudo! Imaginem o que é querermo-nos sentar um bocado a pensar. Ora, se tivermos a cabeça cheia de tudo, pegamos num tudo e pensamos nele. Ou então pensamos até em tudo ao mesmo tempo. Agora se tivermos a cabeça cheia de nada, sentamo-nos e, por mais que nos esforcemos, não vem... nada. Ou melhor, vem nada. Um grande nada. Só vemos poeira à roda na nossa cabeça, tal e qual, como nos desertos daqueles filmes de cowboys. E forma-se um grande remoinho. E isso dá uma grande dor de cabeça. Não ter nada na cabeça dá uma grande dor de cabeça! Porque se puxa por ela e não vem nada. É como se se tentasse puxar um grande rochedo com as nossas próprias mãos. Obviamente que ele não se mexe. Mas, se insistirmos muito, ficamos com uma grande dor de braços.
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