07 maio 2008

O meu quase irmão

Quando eu era mais pequena costumava ir para o Alentejo com o meu primo. Depois fartei-me. Não me perguntem porque estou a falar disto agora. Apeteceu-me. Ele tem menos cinco anos do que eu. E durante muito tempo foi o mais próximo que tive de um irmão. E eu, ainda hoje, sou o mais próximo que ele tem de uma irmã. Passávamos os dias a brincar. E à noite, em vez de dormirmos, punhamo-nos a contar histórias. A contar o que nos tinha acontecido. Ele sempre me contou mais do que eu a ele. Até porque às tantas cheguei a uma certa idade em que fazia coisas que não lhe podia contar. Ele ainda me conta tudo. Eu cada vez lhe conto menos. Ele confia em mim incondicionalmente. Eu quase não confio nele.
Quando percebi que não lhe podia contar certas coisas, ele devia ter uns sete anos. Uma idade muito boa em que eles adoram espalhar tudo. Tudo. Foi logo partilhar com a mãe. Eu com os meus doze anos, como é óbvio, não gostei. Não interessa o que lhe contei. Não era muito interessante. Mas não gostei.
Lembro-me de quando ele era ainda bebé e íamos para casa da minha avó. Ele tinha um daqueles berços de campismo para fazer a sesta. Eu nunca gostei de fazer sestas e já não tinha propriamente idade para tal. Quando ele acordava, os meus avós ainda estavam a dormir (esses sempre a fizeram, pelo menos desde que eu me lembre). Como não o conseguia tirar de lá, metia-me lá dentro a brincar com ele. Ou quando ele era mais crescidinho e já dormia na cama dos meus avós. Eu fingia que ia dormir e quando ele acordava fazíamos tendas com os lençóis.
O que ele mais dizia quando era pequeno era "a rodar, a rodar". Tinha um fascínio fantástico por coisas que rodavam. Recordo-me dele em sua casa a pegar numa cadeirinha de plástico vermelha que tinha e sentar-se mesmo em frente da máquina de lavar a roupa para ver tal espectáculo. Era quase sagrado tal fenómeno para ele. Parava tudo o que estava a fazer a essa hora para ver a boa da máquina!
Sempre embirrámos muito um com o outro. Mais eu do que ele, talvez. Não sei bem porquê... Ou melhor... Sei. Ele tem manias demasiado estúpidas. Manias de superioridade. Não para comigo. Mas para com os outros. Não gosto disso. Não vejo necessidade para isso. E como sou a mais velha, sempre tentei ter um papel um pouco educativo em relação a todos os meus primos e ao meu irmão. Mas às vezes é só mesmo para o chatear. É engraçado!
Não sei porque me pus hoje a escrever isto. Não sei mesmo... Lembrei-me dele... E apeteceu-me. Lembrei-me de como tudo era mais simples quando andava aos pulos e a enrolar rifas para a quermesse com ele... Tenho saudades... de tudo ser fácil e claro...

2 comentários:

Anónimo disse...

Eu acho que é uma bela recordação e nem todas as pessoas têm uma semelhante para contar. Não sei porque o contaste (nem tu sabes) mas eu gostei muito de ler na mesma ^^

Anónimo disse...

Oh fofinha=)