Ali reinava a calma. Apenas se ouvia o chilrear dos pássaros e o doce cantar da água. Inês estava deitada num penedo a olhar o céu azul. Como gostava de estar ali, simplesmente, a olhar!... Sem fazer mais nada... Absolutamente nada... Assim, embalada naquela harmoniosa melodia que a Natureza lhe oferecia...
Às vezes chegava a adormecer precisamente naquela pedra. A meditar sobre a sua vida. Aquele era o seu esconderijo e, ali, tinha a certeza que ninguém a incomodava. Costumava ir para lá todos os fins de tarde, para "espairecer" como ela dizia. Conhecia-lhe todos os recantos, desde o nó retorcido da oliveira ao lado do moinho, à pequena pedra acinzentada no meio da ribeira! Ali, tudo era perfeito!...
Mas hoje, Inês iria ter uma surpresa. Hoje, aquele sítio escondido de toda a humanidade iria perder toda a sua calma!
.
Estava Inês a entrar no sono, quando ouviu um sussurrar no mato. Não lhe ligou, provavelmente seria um animal a passar, ou o vento a movimentar as ramagens. Mais uma vez o som se repetiu. E agora era mais claro e nítido. Parecia mesmo que alguém a estava a chamar!
"Inês... Inês... Inês...", o som repetiu-se. Desta feita, Inês levantou-se e decidiu ir investigar. Desceu o penedo, sacudiu os fungos e cardos que se lhe tinham preso à camisola, e quando se voltou para inspecionar a zona de onde lhe parecia vir o som, deparou-se com um homenzinho, muito pequenino, com longas barbas, uma grande barriga e uma camisa azul muito coçada! Inês piscou os olhos e esfregou-os pensando se não estaria a sonhar. Ela não podia acreditar que alguém podesse ser daquele tamanho!
- Estava a ver que nunca mais acordavas! - disse o pequenho homenzinho.
- Desculpa... Não te ouvi... - respondeu-lhe Inês, meio encavacada.
- E porque é que 'tás a olhar assim especada para mim?
- É que tu és tão pequeno...
- E nunca viste pessoas pequenas?!
- Assim... Não... Mas... Como é que tu sabes o meu nome?
Como é que ele sabia o nome dela?! Como?! Mas que pergunta! Toda a gente sabia o nome dela! Porque é que ele não o haveria de saber também?! Inês estava bastante atrapalhada! De repente, tinha passado de uma calma e descrição total, para um caos de perguntas na sua mente e, ainda por cima (!), reconhecimento geral da sua pessoa!! Havia ali alguma coisa que não estava a bater certo!
- Então... Quem és tu?
- Ora, sou o João! Quem é que eu haveria de ser! João, o Anão! João, o Comilão! João, o Bonacheirão! João, o... o... Não interessa! O que interessa é que preciso da tua ajuda!
- Mas para quê?!
- Estás a ver aquele monte ali?
- Estou... O que é que tem? Esteve sempre ali! Tal e qual como está hoje! - responde Inês já impaciente.
- Não. Daqui não conseguimos ver. Vem, que eu explico-te pelo caminho.
Parecia que uma tal fada chamada Alice tinha sido presa numa gruta pela sua irmã Alda. Elas andavam sempre a discutirem, e daquela vez Alda tinha mesmo chegado ao limite! Até lhe tinha tirado a varinha! Porém, as fadas conseguem comunicar por telepatia, e como ela e João eram muito bons amigos, tinha-lhe pedido ajuda. Mas a pedra que tapava a gruta era demasiado pesada para João e Alice disse-lhe para pedir ajuda a Inês, e só a Inês! Nenhuma outra pessoa grande podia saber da sua existência!
- Fadas?... Mas... As fadas nâo existem! - disse Inês, já bastante desconfiada de toda a situção.
- Ela disse que ias dizer isso.
- E, mesmo que existam, o que é que eu tenho a ver com essa história?
- Ela também disse que ias dizer isso.
- E então...?
- Não sei. Deves ter alguma coisa de especial, não é?
- Pois... 'Tá bem...
E lá foram os dois monte acima. Quando lá chegaram, Inês já estava muito cansada e com uma grande vontade de se ir embora. No entanto, João obrigou-a a emporrar a enorme pedra que estava a tapar a entrada da gruta. A pedra era realmente pesada e demorou muito tempo até eles conseguirem deslocá-la. Por sorte, Alice, como qualquer fada, era pequena e passou pela pequena fresta resultante do seu grande esforço.
- Muito obrigada por teres vindo! Não sabes como te fico agradecida! - disse Alice.
- De nada. Mas... Porque é que tinha que ser eu?!
- Ah... Nada de especial... Era só, porque eu sabia que serias a única a aceitar vir.
- Pois, pois. Muito bonito! - disse João, um pouco irritado. - Vamos, que ainda tenho que te levar de volta, e a minha barriga já está a dar horas!
.
"Inês... Inês... Inês..."
Oh, não! Outra vez aquele sussurar! Já começava a chatear! O que é João quereria agora?!
"Inês... Inês..."
- Que é??? - disse Inês bruscamente. Mas para seu espanto, não foi João quem encontrou à sua frente.
- A mãe disse para te vir chamar. Já é quase de noite. Vá, vamos! - era o seu irmão...
4 comentários:
Adorei a história. Sonhar é tão bom ^^
História da Inês???
aiai Sarinha Inês, como andamos nós.. =P
oliveira??? eu li a palavra Oliveira numa das tuas histórias?? humm...sinto-m honrada! hehe! =D
Texto bonito! ..alternativo! interessante! k m faz recordar tempos antigos =)
mas pk e k kd o sonho tá a ser bom temos smp k acordar?? ..persiste a duvida =/
Inês...
Joao...
(kem serão esses???..palpites???)
kem é esse Joaozito??, hein sua marota?
brincadeirinha..ficçao..sim uma palavra k diz mt, mas ainda assim eu gosto d picar =P
posso fzr um comentário parvo?
"João, o Comilão"--->??? XD xD xD
pronto, pronto,..historias pa crianças..inofensivo!
..mais uma brincadeirinha!! hihi^^ =P
Enviar um comentário